Retorno a escrita no Blog mais acessado de todos os tempos (veja o visualizador de visitas), com uma matéria publicada neste fim de semana. O autor do artigo traz à tona a CPMF, melhor dizendo, uma maneira de sugar os brasileiros através da alíquota de outro imposto, o IOF.
Para os não muito habituados, ou que se esqueceram das aulas de Introdução à Economia, uma forma simples, e bem superficial, de se entender o motivo dos financiamentos e créditos ficarem mais caros pelo aumento do IOF, segue:
Um raciocínio básico na Economia é explicar o mercado pela lei da oferta e da demanda (procura), isto é, as quantidades de produto ofertadas no mercado a determinados preços, relacionadas às quantidades desses produtos, que os consumidores estariam dispostos a adquirir, sob determinados preços.
Sendo assim, cada produto no mercado tem seu preço e certas quantidades desse produto são adquiridas em função do seu preço (importante lembrar que: mantendo-se constantes outros fatores como, gosto e preferência, condições climáticas, etc., que podem influenciar o mercado).
Tal como descrito, podemos adotar o crédito ofertado pelos bancos, os financiamentos e empréstimos como uma mercadoria qualquer. A sua procura (demanda) depende dentre outros fatores, não menos importantes, mas omitidos aqui, do IOF- Imposto Sobre Operações Financeiras, assim sendo se as autoridades responsáveis decidem aumentar a alíquota desse imposto, evidentemente os serviços prestados, como financiamentos, por exemplo, ficam mais caros, o que reduz sua procura no mercado.Passemos à matéria.
O governo eleva o imposto para esfriar o crédito e segurar o dólar. Único efeito até aqui: aumento da arrecadação
No ano passado, os países emergentes receberam, juntos, mais de 900 bilhões de dólares em capitais externos, na forma de investimentos ou trocas comerciais, um valor recorde. O Brasil despontou como um dos destinos favoritos dessa onda migratória de dólares. A entrada de moeda estrangeira superou a saída em 24,4 bilhões de dólares no ano passado. Em 2011, esse movimento ganhou força. Nos três primeiros meses, o ingresso foi de 35,6 bilhões de dólares de dólares. A consequência imediata desse fluxo é a desvalorização do dólar. Ao mesmo tempo, cresce a quantidade de dinheiro em circulação, o que contribui para expandir o crédito e o consumo, aumentando a inflação. Diante desse cenário, o governo tomou medidas tributárias que desestimulam a entrada de dinheiro especulativo no país e também o avanço nos financiamentos. Há duas semanas, elevou o imposto sobre operações financeiras (IOF) para empréstimos de bancos e empresas tomados lá fora com prazo inferior a 360 dias. Na quarta-feira 6, prorrogou esse prazo para dois anos. No dia seguinte, decidiu dobrar a alíquota do imposto, de 1,5% para 3% ao ano, sobre todas as operações de crédito para pessoas físicas feitas no país, como empréstimos consignados e financiamentos.
Segundo o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, a subida do IOF deverá reduzir a oferta de crédito. Com menos dinheiro disponível no mercado, a equipe econômica espera conter a escalada da inflação. O ministro, então, teria descoberto uma fórmula genial para, ao mesmo tempo, conter a desvalorização do dólar e resfriar o superaquecimento da economia. O problema é que, até o momento, as medidas não tiveram o efeito desejado. O preço do dólar caiu para o menor patamar ante o real desde agosto de 2008. Ao mesmo tempo a inflação permanece acima do centro da meta oficial, de 4,5%. Nos últimos doze meses, o índice acumula alta de 6,3%.
Até agora, o único efeito prático das medidas governamentais foi o aumento da arrecadação. Incapaz de conter despesas, o governo elevou as alíquotas do IOF para continuar gastando. Antes da nova rodada de aumento das alíquotas, a Receita estimava que arrecadaria 31 bilhões de reais em IOF neste ano, 12 bilhões a mais que os 19 bilhões arrecadados com o tributo em 2009. Agora esse valor subirá. Essa foi então a maneira que o governo encontrou para tributar ainda mais os brasileiros- isso enquanto não consegue ressuscitar a CPMF.
FONTE: Revista Veja,edição 2212- ano 44-nº15 13 de abril de 2011
____________________________________________Alguns indicadores:
MARÇO DE 2011 MARÇO DE 2010 (para o IPCA)
IPCA ----- 0,79% 0,52%
INPC ----- 0,66%
Dólar EUA ----- 1,5762
A inflação acumulada nos últimos doze meses soma 6,30%, longe da meta de 4,5%.
FONTES: Banco central do Brasil ( www.bcb.gov.br), IBGE (http://www.ibge.gov.br/home/ ), Exame (http://exame.abril.com.br/economia/brasil/noticias/ipca-sobe-0-79-em-marco-mostra-ibge )
_____________________________________________
Sem dúvida uma matéria "ácida" que põe em xeque os verdadeiros objetivos do governo, ainda mais olhando para os indicadores econômicos do período.
Porém lembremo-nos que as políticas fiscal e monetária não possuem caráter imediato, não é possível prever quanto tempo cada medida deverá de fato fazer algum efeito e qual será sua magnitude.
A tentativa do governo é de que a economia acione seu freio, reduzindo o consumo para que a inflação não alcance patamares tão altos, isto porque estaríamos próximos à capacidade produtiva do país, logo a falta de oferta gera altos preços.
O outro lado da moeda, no entanto, é que assusta: estaria o governo disfarçando, como subentendido na matéria, a volta da CPMF usando de artimanhas com o IOF (o pior é o destino dos tributos)?
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comente sem usar de palavrões e agressões.