O Governo de Mato Grosso prevê retomar em março
as obras de duplicação da rodovia BR-251 (Cuiabá-Chapada dos Guimarães), nos
trechos restantes entre os trevos da Guia e da estrada para Manso.
“Nós tomamos a decisão e vamos tocar o projeto. Faremos os
3,5 km que faltam até a Fundação Bradesco e mais os 900 metros do posto
policial até o trevo do Manso”, diz Zenildo Castro Filho, superintendente de
Obras da SETPU (Secretaria de Estado de Transporte e Pavimentação Urbana).
Cinco anos após a primeira licitação, cancelada sob a
justificativa oficial de “falta de verbas”, a “primeira obra da Copa de 2014”
segue sendo uma decepção, quando não uma ameaça à vida, para quem trafega por
seus 17,5 km.
Além de buracos, rachaduras e falta de acostamento, o trecho
abriga intervenções perigosas, como retornos estreitos e implantados com
aparente improviso.
No trecho ainda não duplicado, um conjunto de blocos de
concreto no acesso ao Atacadão já casou acidentes e mortes.
Dos 17,5 km contratados na segunda licitação, apenas 13,1 km
foram implantados e vários trechos estão em condição ruim, segundo o TCE.
O governo diz que a obra ainda não foi oficialmente entregue
e promete concluir toda duplicação até o final deste ano.
Segundo Castro Filho, não será necessária uma nova licitação.
“A partir de março, a mesma empresa contratada começará novamente a trabalhar.
Se a gente não correr e começar, daqui a pouco não fazemos mais a obra.”
A empresa contratada é a Cavalca Engenharia. Em 2009, a
empresa venceu uma concorrência de R$ 17 milhões para conduzir a obra.
Para isso, o governo teve de rescindir um contrato que havia
assinado um ano antes com a Geosolo Engenharia, em um projeto orçado em R$ 34
milhões.
A redução no custo foi possível devido a um enxugamento
drástico nas especificações da obra: da redução na qualidade do pavimento ao
corte total nos gastos previstos com acostamento, ciclovias, iluminação e
paisagismo.
“O que fizeram foi um desrespeito com o povo de Mato Grosso”,
avalia José Mura, proprietário da Geosolo. “Em vez de um motivo de orgulho, o
que temos ali é uma grande vergonha.”
Mura chegou a buscar a Justiça para impedir a continuidade da
obra e anular a rescisão do primeiro contrato. A demanda, segundo ele, acabou
por perder o objeto. “Não havia mais como reverter.”
Segundo ele, o que houve na rodovia não foi um problema da
empreiteira contratada.
“A Cavalca é uma construtora muito boa. O que as pessoas não
levam em conta é que uma empreiteira só faz aquilo que foi contratado. Se o
governo mandou fazer uma porcaria, a empreiteira vai lá e faz. Foi isso o que
aconteceu.”
EXECUÇÃO
O superintendente da SETPU, porém, defende o projeto e
atribui os problemas que surgiram a “falhas de execução”. Segundo ele, a
mudança no pavimento (que era o CBQU, mais resistente e durável, e passou a ser
o TSD, com 1,5 cm de espessura) não justifica os defeitos que surgiram em
alguns trechos.
“As pessoas se confundem: já que é casca de ovo, vai dar
problema. Recalque, panela, quando asfalto está novo, é problema executivo. Na
década de 1980, nós fizemos Cuiabá a Sinop com TSD, 500 quilômetros. Se fôssemos
fazer em CBUQ, não chegaríamos até Nobres”, afirmou.
Segundo Castro Filho, a opção por duplicar apenas parte do
trecho licitado se deu em razão da especulação imobiliária surgida após o
anúncio da obra.
“Entre a fase de licitar a obra e o início efetivo, muitos
empreendimentos começaram a surgir na região da noite para o dia. Havia uma
demanda reprimida muito grande. Para evitar problemas, pensamos: vamos tocar
neste trecho da Fundação Bradesco até o trevo de Manso, onde não vai ter
nenhuma demanda de desapropriação.”
A conclusão da obra prevê alterações no trecho já duplicado.
Segundo a SETPU, os contornos serão refeitos e será feito o acostamento. “Nós
fizemos novos projetos para adequar estes trechos com mais problemas.”
O Midianews procurou a Cavalca Engenharia, mas o proprietário
da empresa, Arlindo Cavalca, disse que estava em viagem e não poderia dar
entrevista.
FONTE: Jornal da Chapada <http://www.jornaldachapada.com/>