segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

MT-251 Teve Problemas de Execução, diz Superintedente


O Governo de Mato Grosso prevê retomar em março as obras de duplicação da rodovia BR-251 (Cuiabá-Chapada dos Guimarães), nos trechos restantes entre os trevos da Guia e da estrada para Manso.

“Nós tomamos a decisão e vamos tocar o projeto. Faremos os 3,5 km que faltam até a Fundação Bradesco e mais os 900 metros do posto policial até o trevo do Manso”, diz Zenildo Castro Filho, superintendente de Obras da SETPU (Secretaria de Estado de Transporte e Pavimentação Urbana).

Cinco anos após a primeira licitação, cancelada sob a justificativa oficial de “falta de verbas”, a “primeira obra da Copa de 2014” segue sendo uma decepção, quando não uma ameaça à vida, para quem trafega por seus 17,5 km.

Além de buracos, rachaduras e falta de acostamento, o trecho abriga intervenções perigosas, como retornos estreitos e implantados com aparente improviso. 

No trecho ainda não duplicado, um conjunto de blocos de concreto no acesso ao Atacadão já casou acidentes e mortes.

Dos 17,5 km contratados na segunda licitação, apenas 13,1 km foram implantados e vários trechos estão em condição ruim, segundo o TCE.

O governo diz que a obra ainda não foi oficialmente entregue e promete concluir toda duplicação até o final deste ano.

Segundo Castro Filho, não será necessária uma nova licitação. “A partir de março, a mesma empresa contratada começará novamente a trabalhar. Se a gente não correr e começar, daqui a pouco não fazemos mais a obra.”

A empresa contratada é a Cavalca Engenharia. Em 2009, a empresa venceu uma concorrência de R$ 17 milhões para conduzir a obra. 

Para isso, o governo teve de rescindir um contrato que havia assinado um ano antes com a Geosolo Engenharia, em um projeto orçado em R$ 34 milhões.

A redução no custo foi possível devido a um enxugamento drástico nas especificações da obra: da redução na qualidade do pavimento ao corte total nos gastos previstos com acostamento, ciclovias, iluminação e paisagismo.

“O que fizeram foi um desrespeito com o povo de Mato Grosso”, avalia José Mura, proprietário da Geosolo. “Em vez de um motivo de orgulho, o que temos ali é uma grande vergonha.”

Mura chegou a buscar a Justiça para impedir a continuidade da obra e anular a rescisão do primeiro contrato. A demanda, segundo ele, acabou por perder o objeto. “Não havia mais como reverter.”

Segundo ele, o que houve na rodovia não foi um problema da empreiteira contratada. 

“A Cavalca é uma construtora muito boa. O que as pessoas não levam em conta é que uma empreiteira só faz aquilo que foi contratado. Se o governo mandou fazer uma porcaria, a empreiteira vai lá e faz. Foi isso o que aconteceu.”

EXECUÇÃO

O superintendente da SETPU, porém, defende o projeto e atribui os problemas que surgiram a “falhas de execução”. Segundo ele, a mudança no pavimento (que era o CBQU, mais resistente e durável, e passou a ser o TSD, com 1,5 cm de espessura) não justifica os defeitos que surgiram em alguns trechos.

“As pessoas se confundem: já que é casca de ovo, vai dar problema. Recalque, panela, quando asfalto está novo, é problema executivo. Na década de 1980, nós fizemos Cuiabá a Sinop com TSD, 500 quilômetros. Se fôssemos fazer em CBUQ, não chegaríamos até Nobres”, afirmou.

Segundo Castro Filho, a opção por duplicar apenas parte do trecho licitado se deu em razão da especulação imobiliária surgida após o anúncio da obra.

“Entre a fase de licitar a obra e o início efetivo, muitos empreendimentos começaram a surgir na região da noite para o dia. Havia uma demanda reprimida muito grande. Para evitar problemas, pensamos: vamos tocar neste trecho da Fundação Bradesco até o trevo de Manso, onde não vai ter nenhuma demanda de desapropriação.”

A conclusão da obra prevê alterações no trecho já duplicado. Segundo a SETPU, os contornos serão refeitos e será feito o acostamento. “Nós fizemos novos projetos para adequar estes trechos com mais problemas.” 

O Midianews procurou a Cavalca Engenharia, mas o proprietário da empresa, Arlindo Cavalca, disse que estava em viagem e não poderia dar entrevista.

FONTE: Jornal da Chapada <http://www.jornaldachapada.com/>

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