Antes do escocês Adam Smith (1723-1790), autor da revolucionária Uma Investigação sobre a Natureza e a Causa da Riqueza das Nações, o comércio entre outros países era tratado apenas como a continuação da guerra por outros meios. Quando aumentava a tarifa de importação sobre os vinhos franceses, os dirigentes da Inglaterra do século XVI tinham a certeza aritmética de estar contribuindo para tornar a França mais pobre e portanto, militarmente mais frágil, já que teria menos recursos para armar seu exército. O aumento de tarifas e outras medidas proecionistas eram, portanto, obrigação, de todo governante. As transações comerciais entre os países eram consideradas o que hoje se chama de "jogo de soma zero"- ou seja, um só ganha quando o outro perde. Essa maneira de pensar e de agir, descrita por Smith como "mercantilismo", partia do pressuposto, então bastante lógico, de que os recursos são finitos. Inexistia a noção de criação de riqueza. O ouro, a prata e outros metais preciosos precisavam ser arrancados do inimigo pela guerra ou pelo comércio e entesourados.
Adam Smith rompeu com esse e outros grilhões mentais, abrindo um caminho teórico para que a riqueza pudesse ser multiplicada. Umas das maneiras sugeridas por ele para um país obter crescimento econômico acima das suas limitações naturais foi a expansão do comércio exterior, com a diminuição das tarifas e o abrandamento das políticas protecionistas. Sucessores de Smith mostrariam que o comércio podia ser benéfico para ambos os lados do balcão, mesmo que os números frios da balança de pagamentos mostrassem lucro apenas para o vendedor ou para o comprador. Descrito, especialmente por quem nunca o leu, como o profeta do mercado sem lei e sem ética, dirigido apenas por uma "mão invisível, Adam Smith, ao contrário, foi um régido pregador moral. Ele via no livre mercado e no livre- comércio não o vale-tudo, o triunfo do forte sobre o fraco, mas a chance de o mais eficiente, mais dedicado e mais capaz triunfar sobre os protegidos do poder. um verdadeiro revolucionário.
Comentário da foto: ADAM SMITH: liberdade para os mais eficientes triunfarem sobre os queridinhos do poder.
FONTE: Revista VEJA- edição 2156- ano 43- nº 11
17 de março de 2010
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Este texto sobre A. Smith está anexado à uma matéria intitulada "O livre- comércio vence", onde se aborda a disputa comercial entre Brasil e EUA, na OMC- Organização Mundial do Comércio, referente aos subsídios que os EUA pagam aos produtores de algodão. Com a decisão o Brasil ganhou o direito de retaliação às importações norte-americanas, "estima-se que o valor gira em torno de 829 milhões de dólares", diz a revista.
Caso os EUA, não recuem e cheguem a um acordo, os impostos deverão aumentar em até 100% no final de abril, sendo divulgada uma outra lista de produtos que incluem o setor de serviços e propriedade intelectual, bloqueio de remessas de dividendos de royalties, e ainda no dia 23 o Brasil decidirá sobre as quebras de patentes de remédios- assunto mais delicado.
"Não queremos uma guerra comercial. A retaliação é um remédio difícil, mas é a única opção que nos restou para defender os interesses do país", afirmou Carlos Cozendey, diretor do Departamento Econômico do Itamaraty.
Esta disputa entre Brasil e EUA iniciou-se em 2002.
O Brasil já esteve envolvido em 38 contendas na OMC, 24 como acusador e 14 como réu.
Lista de produtos retaliados

mto interessante toda essa analise, mais do q adianta tudo isso sendo q o Brasil com seu sistema economico se os EUA com esses acordos podem quebrar nossa economia geral?? ´´eéé e da-le Brasil e da-le o Lula
ResponderExcluirÉ por isso que há a necessidade de intervenção da OMC. Os subsídios americanos aos produtores de algodão, são um "freio" na nossa economia.
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